terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Coruja de Minerva

  As aves, por serem consideradas os seres mais próximos dos Deuses, foram, conforme suas características e atribuições, associadas a eles. A soberana águia acompanhava o poderoso Zeus, o imponente pavão, sua consorte e protetora dos amores legítimos: a Deusa Hera. À atenta coruja coube a companhia da sábia Atena.
  Vemos a imagem da coruja, símbolo de uma vigilância constantemente alerta, nas mais antigas moedas atenienses. A coruja, em grego gláuks “brilhante, cintilante”, enxerga nas trevas. Um dos epítetos de Atena é “a de olhos gláucos” (esverdeados).
  Em latim é Noctua, “ave da noite”. Noturna, relacionada com a lua, a coruja incorpora o oposto solar. Observem que Atena é irmã de Apolo (Sol). É símbolo da reflexão, do conhecimento racional aliado ao intuitivo que permite dominar as trevas. Apesar de haver uma forte associação desta ave à escuridão e a sentimentos tenebrosos, o que é natural a um ser noturno, o fato de ela ter sido (devido a suas específicas características) atribuída à Deusa Atena também a tornou símbolo do conhecimento e da sabedoria para muitos povos.
  A coruja é uma excelente conhecedora dos segredos da noite. Enquanto os homens dormem, ela fica acordada, de olhos arregalados, banhada pelos raios da sua inspiradora Lua. Vigiando os cemitérios ou atenta aos cochichos no breu, essa embaixadora das trevas sabe tudo o que se passa, tendo-se tornado em muitas culturas uma profunda e poderosa conhecedora do oculto.
  Havia uma antiga tradição segundo a qual quem como carne de coruja participa de seus poderes divinatórios, de seus dons de previsão e presciência. A coruja tornou-se assim atributo tradicional dos mânteis, daqueles que praticam a mântica, a arte do divinatio, da adivinhação, simbolizando-lhes o dom da clarividência.
  Eis a ave da Deusa da Sabedoria e da Justiça: atenta coruja, cujo pescoço gira 360º, possuidora de olhos luminosos que, como Zeus, enxergam “O Todo”. Devido a todos esses atributos, a Coruja simboliza também a Filosofia, os Professores e nossa proposta de Conhecimentos Sem Fronteiras: integrar todas as formas de conhecimento com o olhar para o todo.
  Na introdução de sua obra Filosofia do Direito, o Filósofo alemão Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1830), escreve o seguinte.

Quando a filosofia pinta cinza sobre o grisalho,
uma forma de vida já envelheceu e, com o cinza
sobre cinza não se pode rejuvenescer, apenas reconhecer;
A coruja de Minerva alça seu vôo
somente com o início do crepúsculo.

A Espada de Athena: Arma para fazer valer a Justiça

Retirado de ESDC

  Com a espada de ouro em punho ou lança resplandescente (numa imagem mais arcaica), que fora presente do Deus da techné Hefestos, Atena já nasce fortemente armada, pronta para a guerra. Mas o combate da Deusa grega é diferente da guerra do bélico Deus Ares.
  Na mitologia grega, Ares, é o cruel Deus da guerra, da carnificina. Individualista, não titubeia em impor sua caprichosa vontade a quem quer que seja. Enaltecido pelos romanos, impulsivo, Ares é um Deus de caráter epimetéico: primeiro age, depois pensa.
  Pensar é atividade da mente, do elemento Ar, este sim, distingue os homens das bestas. Daí a prudente razoabilidade de Atena ser tão necessária à manutenção da ordem (Cosmos) e à evolução do espírito humano.
  De gosto pelo desafio da conquista, Ares é acompanhado de Éris (a Discórdia), que com seu archote em chamas acende o furor no coração dos soldados e seus filhos, Deimos (terror) e Phóbos (medo), também servidores fiéis desse Deus.
  O espetáculo da carnificina causa horror a Deusa Atena. Os gregos sempre preferiram a sábia, justa guerreira Palas Atena, filha da razão do Soberano do Olimpo. Atena é também patrona da guerra, mas trata-se do combate feito com inteligência e astúcia, motivado por um ideal honroso, guerra somente enquanto último recurso, quando torna-se insuficiente a lúcida resolução diplomática e pacífica de qualquer polêmica. Uma batalha também pode ser encarada como última e importante argumentação na defesa da justiça quando todas as outras falharam.
  Sempre às turras com seu inimigo Ares, pois nem sempre encontram-se do mesmo lado na batalha, Palas (a donzela) será a única mulher a imiscuir-se aos homens, sendo sempre respeitada por eles. Antes do começo da batalha, eles sentem sua presença inspiradora e com isso anseiam mostrar seu heroísmo. “Sacudindo a terrível égide, a Deusa brada e corre veloz entre as fileiras convocadas à batalha. Um momento atrás, esses homens haviam aplaudido com júbilo a ideia de voltar para sua pátria; agora a esquecem por completo: o espírito da Deusa faz agitar todos os corações com ardor bélico”.
  Renomados heróis como Tideu, Hércules, Ulisses e Aquiles dobram-se aos seus sábios conselhos.
Quanto ao herói Tideu, Atena foi sua fiel companheira de batalha, até quis torná-lo imortal. Aproximou-se do herói ferido de morte trazendo na mão a bebida da imortalidade. Mas ele estava a ponto de fender violentamente o crânio do adversário morto para sugar-lhe o cérebro. Horrorizada, a Deusa retrocedeu e o protegido para quem Ela cogitava o mais elevado destino mergulhou na morte comum, pois tinha desonrado a si mesmo.

“Atena seria mulher porque os orgulhosos heróis que se deixaram conduzir por Ela não se submeteriam tão facilmente a um varão, mesmo que fosse um Deus”.

  Quando em fúria cega Aquiles está prestes a liquidar Agamenon, Atena toca seu ombro e o aconselha a dominar-se, contentando-se em ofender o Atrida somente com palavras. O herói prontamente guarda a espada já desembainhada.
  Refletindo sobre a máxima de Heráclito: “A Guerra é Pai de todas as coisas”, é pela espada de Atena que se impõe a Justiça.


Nascimento de Palas Atena (Minerva)

Narra o mito que a Sabedoria e a Justiça, personificadas pela Deusa grega Atena, é fruto de Métis (a Astúcia, a Inteligência) com o poderoso Zeus, Ordenador do Cosmos.
Após ter sido proferido pelo oráculo que, se Zeus tivesse uma filha, Ela se tornaria ainda mais poderosa que Ele, Zeus tratou de engolir Métis para impedir o nascimento. Assim, Atena é gerada na cabeça do Soberano do Olimpo (por isso, a Deusa é associada ao lógos).
Findado o período de gestação, o Supremo Deus começou a sentir terríveis dores de cabeça, pois enquanto a Justiça não nasce, elas são inevitáveis.
Desesperado e no limite, Zeus ordena ao ferreiro divino Hefestos (Vulcano) que lhe abra a cabeça. Mesmo a contragosto, com técnica e precisão, desferra-lhe o machado de ouro certeiro e todos se surpreendem ao verem surgir, imponente e armada, pronta para a guerra, a Deusa Palas Atena.
Palas significa "a donzela", pois a poderosa filha pede ao pai para manter-se sempre virgem e, desta forma, impor-se com a autoridade de quem não se deixa seduzir ou corromper.

Sua principal característica física é o porte altivo. Invocando a proteção de Atena sobre todo e qualquer embate, tem-se a vitória como certa, uma vez que Palas Atena é sempre acompanhada por Niké (a Vitória).

Como pode ser visto nesse hino:


Hino Homérico XXVIII - A Atena:

Eu canto a Palas Atena, a gloriosa Deusa, de olhos brilhantes,
Inventiva, de coração aberto,
Virgem pura, Salvadora das cidades,
Corajosa, nascida da água. O sábio Zeus deu-lhe a luz por Ele mesmo
De Sua temível cabeça, adornada em armamento bélico
De ouro reluzente, e o terror tomou conta de todos os deuses assim que a fitaram.
Mas Atena surgiu rapidamente da cabeça imortal
E se pôs diante de Zeus que segura a égide,
Agitando uma lança afiada: o grande Olimpo começou a vacilar de horror
Ao poder da Deusa de olhos brilhantes,
E a terra girou em volta dos medrosos chorosos,
E o mar se moveu e se agitou com ondas escuras,
Enquanto a espuma se rompia repentinamente:
O brilhante Filho de Hipérion parou seus ligeiros cavalos por um longo instante,
Até a donzela Palas Atena despir-se da pesada armadura sobre Seus ombros imortais.
E o sábio Zeus estava contente.
E então saúdo a ti, filha de Zeus que segura a égide!
Agora eu me lembrarei de ti e de outra canção também.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Minhas preces diárias aos Deuses


  • Na hora em que acordo eu saúdo "bom dia" a todos meus deuses, a Hécate eu faço uma saudação um pouco maior (reconheço o Donzela/Mãe/Anciã, Senhora dos Caminhos/Ciclos/Encruzilhadas).
  • Antes de comer eu faço uma pequena prece à Hécate, pela graça do alimento, por os seres que se sacrificaram e pela saúde que a comida traz.
  • Na hora do pôr do sol eu rezo a Hécate pois é uma hora de Encruzilhada. Evito pensar e saudar outros deuses durante essa uma hora.
  • Antes de dormir eu saúdo "boa noite" e agradeço pela presença e bênçãos dos deuses no dia.
  • Toda vez que eu passo perto do meu portão ou do portão das casas da minha família, ou por um encruzilhada ou quando coloco ração para os cachorros de rua eu realizo uma pequena saudação à Ela.

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As informações não são minhas, peguei de um livro na internet. Todos os direitos reservados aos autores.

Minha oração favorita de Hécate

I am the dark Goddess, I am Hecate.
I am the Darkness behind and beneath the Shadows.
I am the absence of air that waits at the bottom of every breath.
I am the Ending before Life begins again.
            
Maiden, Mother, Crone...
I am all these and more.
Whenever you have need of anything, call upon me.
I am here...
For I abide within you all.
Even at the darkest of times
When there seems no single spark to warm you and the night seems darkest of all, I am here...
Watching and waiting to grow, within you, in strength and in love.

Come to me and see that which cannot be seen, face the terror that is yours alone.
Swim to me through the blackest oceans, to the center of your greatest fears.
The Dark God and I will keep you safe. 
Scream to me in terror and yours will be the Power to Forbear.

Seek me within and without and you will be strong.
Know me.
Venture into the dark so that you may awaken in Balance, Illumination and Wholeness.
Take my love with you everywhere and find the Power within to be who you wish to be.


I am she who is at the beginning and at the end of all time.


Atena, revelação interior e a luta contra a vaidade

Esse texto não é meu, mas gostaria de compartilhá-lo. Todos os direitos reservados aos autores.


Fonte: ESDC

Mito da Deusa da Sabedoria e da Justiça

Cabeça da Medusa incrustada como efígie na Égide de Atena

Atena carrega, no peitoral de sua armadura, a cabeça de Medusa, a rainha das Górgonas.
As Górgonas são três irmãs (Medusa, a dominadora; Euríale, a errante e Esteno, a violenta) que simbolizam os inimigos interiores que temos de evitar. São deformações monstruosas da psique nascidas do desvirtuar de três pulsões humanas: sociabilidade (Esteno), sexualidade (Euríale) e espiritualidade (Medusa). Como a perversão espiritual prevalece sobre as outras, Medusa é conhecida como rainha das Górgonas.
A perversão da pulsão espiritual, por excelência, é a vaidade (imaginação exaltada em relação a si mesma), que é simbolizada pela serpente. Em Medusa, inúmeras serpentes coroam sua cabeça.
No frontispício do templo de Apolo (irmão de Atena), Deus da Harmonia, leem-se as palavras que resumem toda a verdade oculta dos mitos:“conhece-te a ti mesmo”. A única condição do conhecimento de si mesmo é a confissão das intenções ocultas, que, por serem culpáveis, são habitualmente maquiadas pela vaidade (por uma justiça falsa, pois sem mérito, infundada). A inscrição reveladora significa, portanto: desmascara sua falsa razão, ou, o que dá no mesmo, aniquila tua vaidade. Faz-se necessário a clarividência em relação a si mesmo, o inverso do ofuscamento vaidoso e petrificante.
Ver Medusa significa: reconhecer a vaidade culposa, perceber a nu suas falsas razões, suas intenções ocultas, o que ninguém consegue confessar a si mesmo, da qual ninguém suporta a visão.
A cabeça da Medusa foi presente do herói Perseu, a quem a Deusa Atena auxiliou em combate emprestando-o seu escudo, para que não a encarasse de frente e ficasse estagnado. O escudo reluzente de Atena, ao refletir a imagem verídica das coisas e dos seres, permite conhecer a si mesmo: é o espelho da verdade. Neste escudo, o homem se vê tal como é, e não como gosta de imaginar ser.
Atena é a Deusa da combatividade espiritual (as três manifestações da elevação espiritual são a verdade, a beleza e a bondade). A sapiência, o amor pela verdade, é a condição para ascender ao conhecimento de si e, em consequlência, para adentrar na harmonia (Apolo).
Para derrotar a Medusa, foi necessário que o herói a surpreendesse enquanto dormia, pois o homem somente é lúcido e apto ao combate espiritual quando a exaltação de sua vaidade não está desperta. Arma muito cobiçada, mesmo morta, a cabeça da Medusa continuou mantendo seu poder de petrificar quem a encarasse de frente.
Contra a culpabilidade advinda da exaltação vaidosa dos desejos, não há senão um único meio de salvaguarda: realizar a justa medida, a harmonia.
A Deusa, símbolo da combatividade que inspira o amor à verdade, convida os mortais a reconhecerem-se em Medusa, incitando-os à luta contra a mentira essencial, a mentira subconscientemente desejada, o recalcamento, as falsas razões. A cabeça cortada prova que a Medusa não é invencível.
Antes de merecer o apoio de Atena, todo mortal deve encarar o símbolo da decadência espiritual (a vaidade). Somente assim têm-se certeza de que sua reivindicação não oculta outra intenção, ou seja, não é capricho, teimosia. Ante a imagem da Medusa, quem busca a Deusa clamando por justiça tem somente duas possibilidades: contar com sua proteção (vitória certa), se já passou pela prova da Medusa, ou imobilizar-se no pânico e petrificar-se.